Ter nascido na “década perdida”, além de engrossar as estatísticas dos nostálgicos de plantão (uma geraçãozinha enoooorme que cresceu assistindo ao Caverna do Dragão, Pantera Cor-de-Rosa, jogando Lego, Operação, que passou horas diante da Tv jogando Atari - horas essas que nem se comparam às realmente horas que os moleques de hoje passam diante do computator) faz eu sentir na pele o que "twentish" anos significam com o passar dos dias e, muito, mas muito mais do que isso, me sentir a perplexa diante das inumeras alterações de comportamento e costumes (quase que obrigatórios) que venho fazendo desde que coloquei na cabeça que a barriga de mamãe não era mais lugar pra mim.
Veja bem: marcar um encontro com qualquer amigo, seja pra fazer o que for, era coisa simples. Dizia-se "tal horas estarei em determinado lugar, ok?". E pronto. Era o suficiente. Não havia qualquer insegurança com relação a validade do combinado. Ninguém sentia necessidade de ligar pra confirmar, dar "toquinho" ou mandar mensagens pra, só pode, ter certeza de que o fulano não se esqueceu de mim. Mesmo porque telefone fixo nem era tão acessível e, naquele tempo, palavra dada era compromisso firmado.
Difícil hoje é você conseguir combinar de ir no barzinho da esquina sem que o seu celular não participe da transação, não protagonise o processo. Criou-se uma espécie de dependência. Há quem tenha crises histéricas ao perceber há apenas um mísero "pausinho" indicando o fim da bateria ou, em proporções muito maiores, quase morrer porque o danado ficou em casa ou foi roubado.
Mas mudando o foco, exitem coisas que só tendo passado pela década perdida pra viver:
- Frequentar datilografia por meses pra fazer da máquina de escrever objeto de decoração (ok, eu sei que o método é o mesmo pra digitação)
- Colecionar Vinil (ah não, chamar de "Long Play" é demais) pra agora lotar de poeira no cantinho mais obscuro da casa. E claro: hoje fazer questão de Cds originais e manter o mesmo tipo de coleção.
- Filmar batizado, formatura e casamento pra dois anos depois ver todas as imagens distorcidas por fitas VHS.
- E saber que mexer a bunda ou tirá-la do sofá era fácil pra quem precisava"rebobinar a fita" ou "virar o disco".
Portanto, permaneceremos em processo de atualizações automáticas e, seja pra bem ou pra mal, haverá sempre um "quê" de saudade.


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