quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Atualizações Automáticas

Ter nascido na “década perdida”, além de engrossar as estatísticas dos nostálgicos de plantão (uma geraçãozinha enoooorme que cresceu assistindo ao Caverna do Dragão, Pantera Cor-de-Rosa, jogando Lego, Operação, que passou horas diante da Tv jogando Atari - horas essas que nem se comparam às realmente horas que os moleques de hoje passam diante do computator) faz eu sentir na pele o que "twentish" anos significam com o passar dos dias e, muito, mas muito mais do que isso, me sentir a perplexa diante das inumeras alterações de comportamento e costumes (quase que obrigatórios) que venho fazendo desde que coloquei na cabeça que a barriga de mamãe não era mais lugar pra mim.
Veja bem: marcar um encontro com qualquer amigo, seja pra fazer o que for, era coisa simples. Dizia-se "tal horas estarei em determinado lugar, ok?". E pronto. Era o suficiente. Não havia qualquer insegurança com relação a validade do combinado. Ninguém sentia necessidade de ligar pra confirmar, dar "toquinho" ou mandar mensagens pra, só pode, ter certeza de que o fulano não se esqueceu de mim. Mesmo porque telefone fixo nem era tão acessível e, naquele tempo, palavra dada era compromisso firmado.
Difícil hoje é você conseguir combinar de ir no barzinho da esquina sem que o seu celular não participe da transação, não protagonise o processo. Criou-se uma espécie de dependência. Há quem tenha crises histéricas ao perceber há apenas um mísero "pausinho" indicando o fim da bateria ou, em proporções muito maiores, quase morrer porque o danado ficou em casa ou foi roubado.

Mas mudando o foco, exitem coisas que só tendo passado pela década perdida pra viver:

  • Frequentar datilografia por meses pra fazer da máquina de escrever objeto de decoração (ok, eu sei que o método é o mesmo pra digitação)

  • Colecionar Vinil (ah não, chamar de "Long Play" é demais) pra agora lotar de poeira no cantinho mais obscuro da casa. E claro: hoje fazer questão de Cds originais e manter o mesmo tipo de coleção.
  • Filmar batizado, formatura e casamento pra dois anos depois ver todas as imagens distorcidas por fitas VHS.

  • E saber que mexer a bunda ou tirá-la do sofá era fácil pra quem precisava"rebobinar a fita" ou "virar o disco".
Portanto, permaneceremos em processo de atualizações automáticas e, seja pra bem ou pra mal, haverá sempre um "quê" de saudade.


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